Presidente da CONAFER se entrega a PF nesta quarta-feira em Brasília

“Carlos Lopes era considerado foragido da Justiça desde novembro do ano passado”

José Carlos Bossolan

O presidente licenciado da CONAFER (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil), Carlos Roberto Ferreira Lopes se entregou a PF (Polícia Federal) na noite desta quarta-feira (12/08).

Carlos Lopes era considerado foragido da Justiça, após decretação de prisão preventiva em novembro do ano passado por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça. O líder sindical, chegou a ser preso após prestar depoimento na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), por suposto falso testemunho.

“Relator da CPMI, Alfredo Gaspar interpela presidente da CONAFER em depoimento à comissão em setembro”

Carlos Lopes pagou fiança e foi liberado. No depoimento à comissão, Carlos Lopes se apresentou com às mão pintadas de preto, sendo considerado por parlamentares como afronta aos membros da CPMI. O presidente licenciado da CONAFER nega os desvios dos recursos por meio do INSS.

Em sua defesa, Carlos Lopes estaria pedindo auditoria por parte da Polícia Federal em todos os descontos realizados pela entidade de forma associativa, das contas dos beneficiários da folha do instituto previdenciário. Funcionários, colaboradores e prestadores de serviços ficaram sem receber por conta do bloqueio das contas da CONAFER por determinação judicial.

Carlos Lopes deverá ser encaminhado ao sistema prisional do Distrito Federal nesta quinta-feira (13/08). Na semana passada, o nome de Carlos Lopes esteve envolvido em suposta trama contra o deputado federal Alfredo Gaspar.

O sindicalista nega envolvimento no caso.

Apresentação

Nos bastidores, rumores dão conta que Carlos Lopes estaria se apresentado a Justiça para propor acordo de delação premiada. Políticos das mais diversas esferas e estados estariam como supostos beneficiários de pagamentos ou favores destinados pela CONAFER nos últimos anos.

Os políticos teriam recebido segundo bastidores, doações de recursos para custear despesas eletorias, até troca de emendas por reembolso financeiro aos destinatários. Carlos Lopes e alguns familiares tiveram seus bens bloqueados pela Justiça.

Empresa de mineração, fazenda, gado e veículos estariam entre os ativos bloqueados, para servir para restituição dos descontos efetivados indevidamente por intermédio do INSS, caso fique comprovada a fraude.

Prisão Preventiva

A investigação denominada “Operação Sem Desconto”, deflagrada pela PF, AGU, apura suposto esquema de desvios de recuros financeiros a partir de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o INSS e a Conafer, promovia descontos em folha de aposentados e pensionistas sem autorização dos beneficiários.

As investigações apontam que após a assinatura do acordo em 2017, permitindo o desconto na fonte, a entidade passou a enviar listas de beneficiários com milhares de nomes de segurados que não haviam autorizado filiação ou contribuição associativa.

Segundo a PF, a CONAFER recebeu quase R$ 700 milhões do INSS, dos quais R$ 640,9 milhões teriam sido desviados para empresas de fachada e contas de operadores financeiros ligados ao grupo. Na decisão, Mendonça ressaltou que a representação da PF apresenta fortes indícios de movimentação superior a centenas de milhões de reais ao longo de cinco anos, com registro de transferências, depósitos e retiradas em espécie em valores fracionados – método típico de lavagem de capitais.

Membros da CONAFER, operadores financeiros, empresários e outros envolvidos então presos ou cumprindo medidas cautelares desde novembro por decisão do ministro André Mendonça, porém Carlos Lopes passou este tempo como foragido.