“Decisão atinge profissionais que estavam há anos no serviço público e volta a expor as consequências de irregularidades atribuídas a concurso realizado na gestão do ex-prefeito Joni Buzachero”
Assessoria de Comunicação
É difícil olhar para mais três nomes deixando o quadro de servidores da Prefeitura de Castilho e enxergar apenas números de portarias. Por trás de cada ato administrativo existem profissionais, famílias, anos de trabalho e histórias construídas dentro do serviço público municipal.
As Portarias nº 218, 219 e 220, publicadas nesta terça-feira, 18 de agosto, determinaram a demissão de duas fisioterapeutas e um motorista. As demissões decorrem de decisão judicial proferida em Ação Civil Pública que tramita perante a 2ª Vara Cível da Comarca de Andradina e se somam a outros desligamentos relacionados às irregularidades envolvendo concurso público realizado durante a gestão do ex-prefeito Joni Marcos Buzachero.
É justamente aí que está o lado mais lamentável dessa história. Ao longo dos anos, servidores que ingressaram no funcionalismo por meio daquele certame vêm sofrendo as consequências das irregularidades apontadas na Justiça.
Entre eles estão trabalhadores que estudaram, fizeram suas provas, foram aprovados acreditando na legitimidade do concurso e passaram anos dedicando sua vida profissional ao atendimento da população de Castilho. Para essas pessoas, o tempo de serviço, a dedicação e o trabalho prestado não apagam as consequências jurídicas que recaíram sobre o processo de ingresso no serviço público.
E é justamente essa situação que torna cada nova demissão ainda mais dolorosa: eventuais irregularidades cometidas na realização de um concurso podem produzir consequências muitos anos depois e atingir também quem acreditou estar participando de um processo legítimo.
São profissionais que organizaram suas vidas a partir daquela aprovação, constituíram famílias, assumiram compromissos e fizeram do serviço público sua carreira. Depois de anos exercendo suas funções, veem essa trajetória interrompida por fatos que remontam à realização daquele concurso.
No caso das três portarias agora publicadas, ao prefeito Paulo Duarte Boaventura não coube decidir pela permanência ou não desses profissionais. Os atos administrativos foram editados para dar cumprimento à determinação judicial.
A situação deixa uma reflexão que Castilho já conhece há algum tempo: quando existem irregularidades em um concurso público, as consequências não terminam com aqueles que eventualmente tenham dado causa ao problema. Elas podem alcançar, anos depois, trabalhadores e suas famílias.
Os três servidores tornam-se agora mais três rostos de uma história que continua produzindo consequências. Mais do que três demissões, são três trajetórias profissionais interrompidas. E, para quem dedicou anos de sua vida ao serviço público e à população de Castilho, nenhuma portaria consegue traduzir o peso desse momento.