“Em decisão corajosa, prefeito Cristiano Eleutério rompe o ‘tabu das obras enterradas’ e garante investimento de R$ 2,5 milhões do Governo Federal para erradicar tubulação nociva“
Marco Apolinário/JPN
Em uma cartada decisiva que rompe com um dos dogmas mais arraigados da política municipal — o receio de realizar obras subterrâneas que “não aparecem aos olhos do eleitor” —, a Prefeitura de Murutinga do Sul deu o pontapé inicial em um dos projetos de infraestrutura urbana e saúde pública mais cruciais de sua história recente: a substituição integral da arcaica rede de distribuição de água da cidade.
O anúncio oficial foi feito pelo prefeito Cristiano Eleutério por meio de um pronunciamento em vídeo gravado diretamente no local onde as equipes técnicas já realizam as demarcações topográficas. A obra colocará fim a uma estrutura obsoleta composta por tubos de cimento amianto, material comprovadamente nocivo e banido por legislação federal devido aos seus graves riscos à saúde pública.

UM TABU ROMPIDO EM PROL DA VIDA
Historicamente, investimentos de grande porte em redes de água e saneamento subterrâneo costumam ser preteridos por gestores públicos em virtude de sua baixa visibilidade eleitoral, somada aos transtornos temporários de escavação que costumam gerar descontentamento imediato na população. No entanto, o cenário epidemiológico do município exigiu uma postura de coragem administrativa.

No vídeo, o prefeito Cristiano fez uma admissão contundente sobre a gravidade da situação local, associando diretamente a urgência da intervenção aos trágicos números da saúde no município: “Nossa rede de água é de amianto, todos vocês sabem disso… E vocês também sabem o alto índice de casos de CA [câncer] que o nosso município tem. O amianto é proibido! É uma obra que vai ficar debaixo da terra, mas nós temos que fazer pela saúde da nossa cidade e dos nossos munícipes.”— Cristiano Eleutério, Prefeito de Murutinga do Sul.
RECURSOS FEDERAIS DE R$ 2,5 MILHÕES E CRONOGRAMA DAS OBRAS
Para viabilizar o projeto, a administração “Cristiano e Kicão” articulou uma captação direta junto ao Governo Federal, assegurando o aporte de quase R$ 2,5 milhões. O montante cobrirá a retirada completa dos canos de cimento amianto e a instalação de uma moderna tubulação em PVC.
- Investimento Total: Quase R$ 2.500.000,00 (Recursos do Governo Federal).
- Estágio Atual: Demarcação topográfica e medição de pontos no pavimento finalizadas pela empresa contratada.
- Início do Assentamento: Previsão do início do assentamento dos tubos novos em aproximadamente 7 dias.
- Material Utilizado: Policloreto de Vinila (PVC), substituindo o Cimento Amianto.
SETORIZAÇÃO DA REDE: Fim dos Desligamentos Gerais
Além dos ganhos imensuráveis para a saúde pública, a modernização trará uma revolução operacional no abastecimento de Murutinga do Sul por meio da setorização do sistema. Até hoje, qualquer rompimento de cano ou instalação de um novo hidrômetro em um bairro isolado exigia o desligamento total do abastecimento de água da cidade inteira.
Com a nova arquitetura de rede, o município será dividido em setores independentes. Caso ocorra um vazamento ou manutenção preventiva, apenas aquele setor específico terá o fornecimento interrompido, mantendo o restante da cidade abastecido.
TRANSTORNOS TEMPORÁRIOS E ALERTAS À POPULAÇÃO
Como toda grande intervenção estrutural, haverá cortes pontuais e escavações de ruas e calçadas. O prefeito reforçou que o fornecimento será suspenso de forma programada (por exemplo, durante meio período por setor) e pediu a compreensão dos munícipes.
“Vai ter alguns setores com corte de água por algum momento, meio dia… É mais um vídeo de alerta para vocês ficarem espertos, ficarem ligados. Vamos anunciar o dia que vai passar no seu quarteirão. Podem ficar tranquilos, mas algum transtorno vai acontecer.”, antecipou o Chefe do Executivo Municipal.
OPINIÃO EDITORIAL DO JPN
A iniciativa de Murutinga do Sul serve como um divisor de águas na gestão pública regional. Ao encarar uma obra invisível aos olhos, mas vital à sobrevivência da população, o município demonstra que a priorização da saúde pública e do saneamento básico deve sobrepor-se à conveniência política imediata. Em seu segundo mandato, Cristiano Eleutério que também é presidente do CIENSP, demonstra uma maturidade política e senso de responsabilidade pouco comuns na história recente da região.