Desapropriação do Cine Capri reacende debate sobre revitalização cultural no centro de Andradina

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A decisão da Prefeitura de Andradina de desapropriar o antigo Cine Capri, fechado desde o início dos anos 2000, trouxe à tona um debate relevante sobre o futuro de imóveis abandonados em áreas centrais e o potencial de transformação desses espaços em polos de convivência cultural.

Localizado no coração da cidade, ao lado da Praça Moura Andrade, o prédio — que já foi um dos mais movimentados pontos de lazer, com capacidade para cerca de mil pessoas — hoje representa um cenário de ociosidade e degradação urbana. A proposta do poder público é dar uma nova função ao imóvel: transformá-lo em um grande auditório voltado para eventos culturais, educacionais e institucionais.

A medida encontra respaldo no princípio da função social da propriedade, previsto na Constituição Federal, que determina que todo imóvel deve atender a um interesse coletivo. Especialistas apontam que prédios fechados por longos períodos, sem manutenção ou uso, deixam de cumprir esse papel e podem ser alvo de políticas públicas como a desapropriação, desde que haja indenização ao proprietário.

Além da questão legal, a iniciativa é vista como uma estratégia de revitalização do centro urbano. Imóveis abandonados tendem a impactar negativamente a paisagem e a segurança, enquanto a reocupação pode estimular a circulação de pessoas, fortalecer o comércio local e atrair novos investimentos.

Outro ponto destacado é o valor histórico e afetivo do Cine Capri para a população. Em vez de permanecer como símbolo de abandono, o espaço pode ser ressignificado, preservando sua memória e adaptando sua estrutura para atender às demandas atuais da cidade.

A criação de um auditório de grande porte também atende a uma carência antiga de Andradina. Atualmente, o município não dispõe de um espaço adequado para receber grandes públicos em eventos culturais, o que limita a realização de apresentações, encontros e atividades de maior escala.

Com a reativação do Cine Capri, a expectativa é que o local se torne um novo ponto de encontro da população, promovendo o acesso à cultura e fortalecendo a vida urbana. A proposta reflete uma tendência observada em diversas cidades brasileiras: a de recuperar estruturas históricas e devolvê-las à comunidade com novas funções, alinhadas às necessidades contemporâneas.

Mais do que uma intervenção urbana, a iniciativa representa uma tentativa de reconectar o passado e o futuro da cidade, transformando um prédio marcado pelo silêncio em um espaço novamente ocupado por vozes, encontros e experiências coletivas.