TRISTE SILÊNCIO: morte de cacique Merong entristece povos indígenas

Secom CONAFER

Wallace Santos Souza, o cacique Merong, é mais uma voz da luta indígena que se cala. Ainda não existe um laudo conclusivo sobre a morte de Merong Kamakã Mongoió até a publicação desta matéria. O que se sabe com certeza é da sua liderança frente aos movimentos de retomada de territórios indígenas pelo país. Por esta razão, teve a sua vida ameaçada por diversas vezes. Em conversas com parentes próximos, Merong manifestou o desejo de ampliar as ações da retomada no Vale do Córrego de Areias, município de Brumadinho, onde vivia e foi encontrado em casa com sinais de enforcamento. No papel de educador indígena, em meados de 2023, Merong foi um dos professores convidados do Mais Educação Livre, o 1º Encontro Nacional de Professores Indígenas, promovido pela CONAFER na Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro-BA. Bem perto dali, em Pau Brasil, no sul baiano, fica o Território Caramuru, onde cresceu com os Pataxó Hã-hã-hãe. Nascido em Contagem-MG, o cacique Merong Kamakã Mongoió, é reconhecido como um dos articuladores do movimento indígena, sempre presente nos momentos em que se exigiu coragem e disposição dignas de um líder

Em vídeos no YouTube é possível ver a atuação de Merong Kamakã Mongoió no enfrentamento das ações truculentas que frequentemente ocorriam no Vale do Córrego de Areias, município de Brumadinho, onde morava e comandava uma retomada. 

“Para o cacique, a terra significava vida e espiritualidade, razão para defendê-la ao máximo e em qualquer circunstância”, diz a nota da FUNAI 

Nota da FUNAI, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, publicada no final da tarde de ontem:

“Com imenso pesar, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informa o falecimento do cacique Merong Kamakã Mongoió na manhã desta segunda-feira (4) em Brumadinho (MG). Militante em defesa do território da sua comunidade, o líder indígena pertencia ao povo Pataxó-hã-hã-hãe, situado ao Sul da Bahia, e à sexta geração da família Kamakã Mongoió, conforme publicou o Museu do Índio nas redes sociais.

O cacique estava à frente da Retomada Kamakã Mongoió no Vale do Córrego de Areias em Brumadinho, município da região metropolitana de Belo Horizonte. Além de liderar as ações em prol dos direitos de seu povo, Merong militava em defesa dos territórios de outras comunidades, como a Kaingáng, Xokleng e Guarani.    

O líder indígena nasceu em Contagem (MG) e, na infância, foi morar na Bahia. “Quando criança, a vida era mais difícil porque não vendia o artesanato para subsistência, e também não tínhamos programas de apoio dos governos, o que pesava para uma família de seis irmãos”, escreveu o Museu do Índio na homenagem postada. Para o cacique, a terra significava vida e espiritualidade, razão para defendê-la ao máximo e em qualquer circunstância.   

Merong Kamakã Mongoió também atuou no Rio Grande do Sul. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o líder indígena participou ativamente da Ocupação Lanceiros Negros, iniciativa que contribuiu com as retomadas Xokleng Konglui no município gaúcho de São Franciso de Paula, e Guarani Mbya em Maquiné.  

A Funai lamenta profundamente a perda e se solidariza com familiares e amigos neste momento de tristeza”.

O caique Merong foi um dos professores convidados do Mais Educação Livre, o 1º Encontro Nacional de Professores Indígenas, promovido pela CONAFER na Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro-BA

A CONAFER publicou em suas redes sociais uma NOTA DE PESAR pelo falecimento do cacique Merong:

“A CONAFER se solidariza à família de Merong Kamakã. O cacique Merong, como era conhecido, fazia da defesa dos povos originários a sua bandeira de luta. Em Minas Gerais, na região de Brumadinho. No Território Caramuru, no sul da Bahia. No apoio aos Xokleng, Guarani e Kaingang no Sul do Brasil. Como educador do Mais Educação Livre contribuindo com seu conhecimento na Reserva Jaqueira. Apesar de uma longa caminhada pelo país na resistência contra a violência em áreas indígenas, Merong faleceu muito jovem e cheio de sonhos. Lamentamos o seu falecimento e a perda do parente, que sempre foi um exemplo de caráter, trabalho e dedicação à sua família e ao seu povo. Prestamos nossas condolências e expressamos enorme sentimento de respeito pelo momento”.