MPF processa concessionária e determina reflorestamento no lago da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira

“O Ministério Público Federal cobra uma recuperação de 6,4 mil hectares de área degradada há mais de 50 anos. Em nota, concessionária informou que ainda não foi notificada sobre a ação.”

g1

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para obrigar a concessionária responsável pela geração de energia a reflorestar as margens do reservatório da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira (SP). A empresa, que opera a unidade desde 2016, deveria recuperar 6.427,91 hectares de área degradada, mas até o momento reflorestou apenas 235,5 hectares.

Ao g1, a concessionária Rio Paraná Energia informou que ainda não foi formalmente intimada sobre a existência da ação e que todas as medidas serão adotadas conforme determina o processo. Em nota, esclareceu também que tem o compromisso com o meio ambiente e cumpre as leis brasileiras.

A ação, protocolada na 1ª Vara Federal de Jales (SP), pede que a Justiça determine o plantio de 671 mil mudas por ano e um investimento anual de R$ 7,7 milhões para a recuperação ambiental. O MPF também solicita que a concessionária comece, em até 90 dias, o plantio de uma faixa de árvores na divisa entre a área de preservação e as propriedades vizinhas.

Além disso, a empresa deverá apresentar um projeto detalhado com cronograma para o reflorestamento. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) já havia cobrado um plano de recuperação em 2021, mas a concessionária não prestou informações adequadas. Segundo o MPF, a empresa teria um prazo de até 16 anos para concluir o reflorestamento, considerando que nove anos já se passaram desde a concessão da hidrelétrica.

A ação também destaca o exemplo da Usina de Itaipu, que, desde 1979, já reflorestou 34 mil hectares no Brasil com o plantio de 24 milhões de mudas nativas. Para os procuradores do MPF, a regeneração da área do reservatório de Ilha Solteira só será possível com a atuação da Justiça. Se houver descumprimento das medidas, o MPF pede que a concessionária seja multada em R$ 100 milhões para cada ano de atraso na conclusão do reflorestamento.